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Ninguém nasce racista

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Eu escrevo com um nó na garganta e a tristeza da desesperança. Todos os dias há tragédias, injustiças, desamor. Esta semana, Ryan Teixeira do Nascimento, de 16 anos, foi assassinado, a tiros, em Magalhães Bastos, na zona oeste do Rio de Janeiro. Um adolescente negro. Morto porque um homem teria se irritado com o barulho feito pelo jovem e seus amigos, enquanto brincavam no telhado de uma clínica em frente à casa dele.

 

Há praticamente um mês, Marcos Vinícius da Silva, de 14 anos, também negro, morreu durante operação policial no Complexo de Favelas da Maré, no Rio. Ele estava a caminho da escola, mas o uniforme que vestia não foi o suficiente para blinda-lo. Aos que são apegados a dados estatísticos, trago o seguinte: Das 61.283 mortes violentas ocorridas em 2016 no Brasil, a maioria das vítimas são homens (92%), negros (74,5%) e jovens (53% entre 15 e 29 anos).

 

A fonte é o Atlas da Violência 2017, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Mais dois jovens entre tantos outros que mal conseguiram buscar um lugar ao sol, à sombra, no telhado, na vida. Problema de segurança pública? Educação? Falta de amor?

Na semana em que Nelson Mandela, o símbolo da luta contra o apartheid, na África do Sul, completaria 100 anos, é preciso falar sobre o racismo estrutural do Brasil

É tudo isso, mas não só. Na semana em que Nelson Mandela, o símbolo da luta contra o apartheid, na África do Sul, completaria 100 anos, é preciso falar sobre o racismo estrutural do Brasil. Um país que foi desenvolvido às custas da escravidão, que não respeita a história do próprio povo. Continuar fechando os olhos para esta realidade é ser cúmplice do genocídio da população negra. E quem incita o ódio e reproduz a violência também mata.

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A população negra é mais afetada também no que diz respeito ao acesso à saúde, educação e distribuição de renda. A situação das mulheres negras segue a mesma tendência. Mulheres negras jovens (15 a 29 anos) têm o dobro de chance de serem mortas, no comparativo com mulheres brancas em todo Brasil, de acordo com o Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência 2017, estudo elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) com números de 2015.

 

Também são das negras as maiores chances de morte ao se submeterem ao aborto. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice de aborto provocado das mulheres pretas é de 3,5%, o dobro do percentual entre as brancas (1,7%). E por uma questão muito simples e triste. Elas possuem menos acesso aos métodos contraceptivos e não têm condições financeiras de pagar por um procedimento seguro. Sim, apesar de o aborto ser proibido por Lei no Brasil, é de conhecimento geral o funcionamento de clínicas clandestinas que cobram caro pelo procedimento. Ou seja, aborta com segurança (e sem ser presa) quem tem dinheiro.

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Uma das defensoras da descriminalização do aborto, a antropóloga, pesquisadora do Instituto de Bioética (Anis) e da Universidade de Brasília (UnB), Débora Diniz, tem recebido ameaças de grupos intolerantes. Esta semana, ela foi agredida na saída de um evento que buscava justamente debater o assunto, e teve que sair da cidade para se resguardar. No início de agosto, ela será uma das expositoras da audiência pública convocada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para debater a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), que requer o reconhecimento da descriminalização do aborto até a décima-segunda semana de gestação, enquanto direito da mulher.

 

Querem calar estas vozes, aquelas cujas vidas parecem não ter o menor valor. E também dos que tentam dar voz a estas pessoas. Mandela dizia que “ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da pele, pela origem ou pela religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar”. E também não custa lembrar: racismo é crime.

 

NARA ASSIS é jornalista e servidora pública estadual em Cuiabá

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Preenchimento de queixo sem bisturi

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Seu contorno facial te incomoda? Saiba que a queixa é bem comum, para muitos a insatisfação grita quando o perfil parece mais deficiente de queixo, em alguns casos a face frontal também perde beleza. Mas, a boa notícia é que para revolucionar a estética facial não é preciso se submeter a uma cirurgia, que inclui cortes, valores agregados e a insegurança do resultado. Graças a harmonização facial a conquista de um novo contorno é possível em 20 minutos de consultório, sem nenhum procedimento invasivo.
A satisfação plena de uma nova face com um queixo maior e mandíbulas perfeitas para a nova moldura é possível através de preenchedores, como o ácido hialurônico, ele é perfeito para atingir o ideal de uma remodelação do queixo, empregando apenas anestesia local e o preenchedor, claro que o olhar clinico do profissional é o que também difere no resultado, a análise perfeita das métricas da face define a excelência desta harmonização, que não exige nem mesmo que o paciente se afaste de suas funções após se submeter ao procedimento, diante da tamanha simplicidade do processo.
A técnica é tão avançada que os preenchedores operam milagres nesta transformação facial, sendo possível projetar, arredondar, redefinir assimetrias, e ou alongar o queixo. E o melhor de tudo é resultado é imediato. Tenho muita estima na realização deste procedimento, pois ele é transformador, a sensação de felicidade dos pacientes irradia o consultório. Imagine que em muitos casos os pacientes sofreram anos com a aparência, e agora um procedimento tão simples pode riscar um passado de insatisfação.
Não pense que é exagero sofrer com um contorno não bem definido ou um queixo sem expressão, saiba que o queixo é uma parte extremamente importante para definir o contorno facial. Quando o queixo tem a proporção ideal deixa a face mais harmônica e proporciona jovialidade e imponência. Pare de sofrer se seu queixo é muito para dentro ou mais para fora. A harmonização facial nasceu em berço esplêndido de transformação da face e da autoestima, um novo você esta a sua disposição com segurança e rapidez.

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Nayara Cerutti, odontóloga com atuação em harmonização facial

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