Opinião

Um país mal educado

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Nunca fomos bem educados; nunca existiram boas escolas no Brasil. A escola é uma ilustre ausente do nosso cotidiano, da literatura, da política, da cultura, e serve mais para ocupar as pessoas do que para emancipá-las.

 

Mesmo as escolas das elites são medíocres, ficando aquém das escolas dos pobres da maior parte do mundo, aliás, somos um dos últimos colocados no ranking escolar mundial.

 

Fundamentalmente faltam bons professores e a profissão não atrai os melhores quadros humanos, que preferem exercer profissões melhores remuneradas ou que tenha mais respeito ou prestígio.

E não é só uma questão de falta de verba, mas de verbas mal empregadas. Não se trata apenas de profissionais mal remunerados, mas pouco prestigiados ou reconhecidos

E a cada dia que passa, menos pessoas se interessam em ser professor, ou querem ingressar nas licenciaturas. A formação brasileira é fraca em todas as áreas, mas é pior ainda quando se trata da formação dos professores.

 

Eis porque mesmo a elite receberá péssima formação, pois mesmos os melhores professores estão mal formados pelas universidades, que também tratam o ensino como uma questão menor, que traz menos prestígio, relegando às licenciaturas poucas verbas, poucos espaços, laboratórios, recursos físicos e humanos, até mesmo servidores.

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Sem prestígio, sem espaço, sem recursos, dos poucos professores que se formam, muitos acabam exercendo profissões diversas, prestando concurso para ser servidor público mais do que professor.

 

Não há boas escolas para se formar bons homens. O ensino é mais do que medíocre, é indesejável, fraco e quase inútil, não fosse permitir abrir um crediário numa grande Magazine.

 

A submissão e o oportunismo adquiridos pelos hábitos familiares e sociais não são removidos pela educação, que nunca privilegiou a cidadania. E a ignorância é tanta que não permite ao brasileiro perceber que, mais que construir um país, precisa abrigar um povo, no caso, ele próprio.

 

Pode ser até hospitaleiro com o turista, se não for isso apenas um chavão nacionalista, mas o brasileiro não é hospitaleiro consigo próprio. Não prepara as crianças para serem boas pessoas e bons cidadãos; mal ensina a ler e escrever, e a fazer contas básicas.

 

E não é só uma questão de falta de verba, mas de verbas mal empregadas. Não se trata apenas de profissionais mal remunerados, mas pouco prestigiados ou reconhecidos.

 

Ninguém os ouve, nem as autoridades os consultam, pois a educação está na mão de políticos, nunca de educadores. Mesmo a população coloca a educação numa das últimas preocupações de sua existência, estando a saúde, a segurança, o emprego, e até mesmo o lazer, antes dela, querendo mais delegacias do que escolas, mais fábricas e hospitais do que ensino de boa qualidade.

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E se nossas escolas conseguem socializar o cidadão, fornecendo alguma profissão, não politiza ou humaniza as pessoas, tornando-as boas, emancipadas das autoridades, com autonomia e independência de ideias e posição.

 

O pior é perceber que poucas vozes se levantam para defender uma revolução educacional no Brasil. Poucos lutam pela melhoria de nossas escolas, tornando-as um lugar  agradável e desejável para os nossos alunos e professores.

 

Poucos percebem que uma boa educação é solução para a maioria dos problemas de saúde e violência no país, e que se precisa uma educação de tempo integral, para que crianças e jovens estejam sendo estimulados para a aprenderem mais, serem mais sábios e mais justos, para ser cidadão participativo e não apáticos ou indiferentes.

 

Todos os países que ocupam os maiores índices de desenvolvimento humano, fizeram uma educação universal e de bom nível, com escolas boas e amplas, cheias de atrativos esportivos, artísticos e culturais, antes de obter um bom desenvolvimento humano, para lá do econômico.

 

ROBERTO DE BARROS FREIRE é professor do Departamento de Filosofia/UFMT

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Opinião

Então foi Natal

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E de fato, o que a gente fez? Será que fizemos o bastante? Será que fizemos algo? Ou apenas murmuramos. O nosso mal é esse talvez, de muitas vezes ficarmos parados no mesmo lugar vendo tudo passar a nossa frente como uma grande tela de cinema, ou lamentamos ou criticamos as pessoas pelo o que elas fazem, fato, lamentar é mais fácil do que agir.

Mas vamos ao tema, o Natal existe sim, é uma data comercial? Também, mas há um apego religioso e cristão em tudo isso também? Sim, ou para algumas pessoas. Este ano devido uma série de fatores, decidi que o presente seria “Eu Presente”, isso mesmo, eu presente na vida das pessoas. E cá estou falando com você, tentando de fato cumprir essa missão, “Ser Presente”.

Logo que acordei agradeci a Deus pela minha vida e coloquei toda nação na presença Dele, é, o Natal mexe com todos nós, ou com os que têm uma certa sensibilidade. Eu acredito na força do Natal, olha quanta gente se mobilizou a fazer ações solidárias, quantas pessoas foram beneficiadas, mas por que não fazemos isso o ano todo?

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Por que não nos mobilizamos mais? Posso responder, porque somos movidos a momentos, se a gente tornar o Natal algo cotidiano mais pessoas serão agraciadas, e nós, vamos nos tornar seres mais iluminados. Neste momento ainda natalino, vamos refletir no quanto podemos ser solidários de fato com as pessoas, ser motivação, ser energia boa e ser gente boa.

Ser Natal todo dia, pode fazer a diferença na vida de todos nós.

Vânia Neves é Jornalista e Assessora de Imprensa

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