Opinião

Os fluxos do bem e do mal no atual governo de MT

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Vou propor um artigo diferente. Através de dois gráficos vou tentar resumir os pontos positivos(fluxo do bem) e os pontos negativos(fluxo do mal) do atual governo de Mato Grosso.

Pontos do bem:

 Economia dinâmica. Atualmente a matriz do agronegócio é a principal e ainda há diversas outras com possibilidade de crescer, como mineração, turismo, agricultura familiar, serviços e inovação.

 Como consequência da sua economia dinâmica, o governo de Mato Grosso conta com sucessivos aumentos na sua receita.

 O funcionalismo público estadual é altamente qualificado.

 Além da diversidade dos eco-sistemas, da grande produtividade da terra, do sub-solo e do extrativismo vegetal, Mato Grosso está sob uma das maiores reservas de água do mundo. Tudo isso torna o Estado um importante “player” mundial.

 Tanto as instituições públicas, especialmente os poderes como o judiciário, e também as privadas, como as associações e sindicatos patronais e de trabalhadores, estão fortalecidas e equilibram, de alguma forma, o desastroso governo Taques.

Pontos do mal:

 A falta de planejamento do atual governo reflete uma série de mazelas como: o VLT parado, os repasses para a saúde atrasados, não cumprimento com o RGA, gastos abusivos (exemplo: um orçamento de R$ 140 milhões ao ano para empresa estatal de tecnologia de informação e ainda assim o governo contrata mais de R$ 6 milhões ao mês com empresas terceirizadas para soluções tecnológicas ao governo), corrupção e os frequentes contratos com dispensa de licitação, pouca capacidade de investimentos e tem provocado o constante aumento no déficit público.

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 As renúncias fiscais aumentaram de R$ 1 bilhão no último ano do governo anterior, para R$ 3,6 bilhões no ano de 2018, mesmo sem as empresas apresentarem contrapartida (as programáticas) e o valor das não programáticas não ter controle.

 É divulgado um déficit na previdência estadual, mas o atual governo se recusa a dar transparência aos números. Através de um acompanhamento paralelo descobrimos que a atual gestão da MT Prev tem feito pirotecnia contábil, como por exemplo ter excluído do balanço aproximadamente R$ 15 bilhões em ativos.

 Segundo um relatório do Sebrae e do CNI(confederação nacional das indústrias) Mato Grosso tem a maior carga tributária do Brasil, o que ao invés de atrair empresas, as têm afugentadas.

 Segundo o estudo “ Ranking de Competitividade dos Estados Brasileiros” assinado pela conceituada revista inglesa “The Economist”, Mato Grosso caiu duas posições no ranking, durante o governo Taques.

* Como saúde, educação, segurança e queda na competitividade e na inovação.

A minha conclusão é simples: O Pedro Taques destruiu a base estatal de Mato Grosso e vai ser preciso um grande esforço para recolocar o Estado nos trilhos.

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Janaina Riva é bacharel em Direito e deputada estadual em Mato Grosso

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Opinião

O Filho morreu, e daí?

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Por Rui Matos

 “Tudo o que fomos permanece na despedida. O que juntamos é o que vai na partida”

Quando a voz de besouro do locutor da única rádio da pacata cidadezinha nos cafundós do interior rasgou a madrugada anunciando que já era quase cinco horas da manhã, Zé e Mané já estavam na pracinha do centro. Centro e periferia se confundiam, separados apenas por uma rua calçada com pedras irregulares.

Sentados no banco de cimento que ainda não estava marcado pelo cocô dos pombos, mantinham-se atentos ao que ouviam apesar do chiado que partia de forma impositiva de outro combalido rádio que descansava preguiçosamente sobre o balcão da padaria. Das duas faces da porta de madeira do estabelecimento, apenas uma estava aberta permitindo que a voz rouca com a notícia triste tomasse a rua junto com o filete de luz que clareava a calçada.

Era o anúncio da morte de Filho. Burburinhos já se formavam nas esquinas e os moradores debruçados nas janelas se encarregavam de espalhar a notícia que todos já sabiam.

– Perder o Filho foi triste, né?

– Deixe de ser Mané. O doutorzinho não está nem ai. Lamentar por quê?

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– Você se acha o Zé, né? Insensível. Ele tirou o Filho das ruas e o criou. Não foi assim? – questionou Mané com o coração em pedaços, após também quase encontrar a morte pela contaminação com o Coronavírus.

O sol já queimava o rosto e o lero-lero entre Zé e Mané continuava. A voz mansa deu lugar a gritos que saltavam das bocas sem receio de incomodar as senhoras que se amontoavam logo atrás para ouvir a blá-blá-blá. Foi quando Mané olhou sobre os ombros e tomou para si o controle da falação, fazendo o grupo se dispersar.

– Já viu o doutorzinho levar o Filho pra passear na praça?

– Putz! Não. Nunca vi. Mas acho que a culpa foi da Covid-19, que espantou quase todos das ruas – justificou com os braços abertos, enfiando a cabeça entre os ombros.

– Das poucas vezes que o vi com o Filho, o pobre coitado estava fedendo de tão sujo.

– Ô Mané!!! Foi a Covid que o deixou assim, todo meloso? Ou está se sentindo vítima por morar na periferia?

– Ora, ora! Como se morar no centro fizesse alguma diferença. Talvez tenha sido sim, a Covid. Vi pela televisão que muita gente morreu. Eu mesmo quase parti dessa vida. Logicamente que mudei minha forma de pensar e agir depois de tudo isso. Sobrevivi, né?

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– Então! – completou Zé com semblante de riso.

– Então nos preocupamos cada um por si e nos esquecemos do coletivo. Filho era parte dessa cidade e nos trouxe muitas alegrias. Estou errado?

– Errado não está, mas também não está certo. Afinal, Filho não foi mais importante do que qualquer outro finado durante essa pandemia – esbravejou ao se levantar, batendo a poeira da bunda com as mãos.

– Ao menos, Filho me fazia rir, brincava comigo. Até falava alguma coisa quando escapulia pelo portão, acho! – acreditou Zé, olhando Mané abrir a boca para interrompê-lo.

– Certamente o doutorzinho irá arrumar outro vira-lata. Filho morreu, e dai? Estamos vivos. A vida continua – sentenciou.

– E daí, que tudo o que fomos permanece na despedida. O que juntamos é o que vai na partida. A saudade fica, até mesmo a de um vira-lata. Que Deus o tenha.

 – Bora trabalhar, pois, sol madrugueiro não dura o dia todo – disseram juntos.

 Rui Matos é jornalista e escritor – Instagram: @rui.matos.escritor

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