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SUCATAS: Ônibus podem circular no máximo 6 anos em Cuiabá

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As três empresas que operam no sistema de transporte coletivo de Cuiabá têm rodado com ônibus que se encontram com uma média de 6,5 anos, idade muito acima da estipulada no contrato com a Prefeitura Municipal. Porém, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) não tem aplicado multa às empresas, que vêm descumprimento a cláusula contratual.

A denúncia é do vereador Abilio Junior, que encaminhou documentos ao Ministério Público do Estado (MPE), que sugerem que há cometimento de crime de improbidade administrativa, de Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e de dano ao erário público por parte do secretário de Mobilidade Urbana, Antenor Figueiredo.

Na capital, o sistema é operado pela Integração Transporte, Pantanal Transporte, Norte e Sul Transporte. Segundo Abilio, após análise dos contratos firmados entre a administração municipal e as empresas foi constatado que o gestor não aplicou multas às empresas que vem, reiteradamente, descumprindo diversas cláusulas contratuais.

A mais grave, de acordo com o parlamentar, tem sido o desrespeito ao Parágrafo 4º da Cláusula VI do contrato, que diz que as empresas devem manter uma frota cuja média máxima de idade esteja entre 3,5 e 4,5.

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“Após analisarmos minuciosamente as informações, vimos que a Semob não tem aplicado qualquer multa referente à acusação, a nenhuma das empresas, sendo que todas as três, responsáveis pelo transporte de Cuiabá, tem rodado com ônibus com uma média de 6,5 anos, ficando muito acima da média estipulada no contrato”, explicou Abílio durante sessão na Câmara de Vereadores.

Tal descumprimento deveria resultar em aplicação de multas, o que não foi praticado pelo gestor ao longo do ano passado, quando assumiu a administração da pasta até então. “Mediante essa inércia do secretário, ele comete, sim, diversos crimes contra a administração pública e deve, sim, responder por isso. Dessa maneira, estarei hoje protocolando essa denúncia junto ao Ministério Público, para que ele investigue essa situação que tem afetado a população usuária do sistema público de transporte”, enfatizou o vereador.

Na ocasião, o secretário Antenor Figueiredo esteve presente e, após ser indagado pelo vereador sobre a atual situação, informou que prefere esclarecer diretamente ao MPE. Segundo ele, até o fim do ano a prefeitura lança o edital prevendo a licitação do transporte coletivo.

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Em maio do ano passado, o prefeito Emanuel Pinheiro chegou a anunciar 50 novos ônibus para a capital, que deveriam chegar em setembro. O objetivo era de que os novos veículos amenizem o problema da frota em idade avançada. Mas, até hoje esses novos coletivos não foram entregues. O contrato do município com as empresas vence no fim do primeiro semestre de 2019.

*DIÁRIO DE CUIABÁ

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Símbolo de respeito e ocupação histórica: Beco do Candeeiro recebe bênçãos da Lavagem do Rosário e São Benedito

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“Na beira da praia, Ogum Sete Ondas, Ogum Beira Mar” foi o que se escutou as margens da Prainha, no Beco do Beco do Candeeiro, na noite da última sexta-feira (11). O projeto Afro Sagrado, executado pela Associação Lavagem das Escadarias Rosário e São Benedito realizou a benção dos candeeiros para celebrar a presença ancestral africana. Logo depois, o grupo musical Raízes do Samba se apresentou com repertório nacional. No local, também foi comercializado comidas típicas regionais. Os eventos realizados no Beco são promovidos pela Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer por determinação do prefeito Emanuel Pinheiro, gratuitamente e seguem todas as medidas de biossegurança.

“É preciso respeitar as raízes do povo cuiabano, respeitar a fé tão diversa da nossa gente. A gestão Emanuel Pinheiro restaurou o Beco do Candeeiro para ser lugar de encontro, de exaltação da arte, da cultura, das tradições e vamos cada vez mais, promover a paz e união neste lugar tão simbólico da nossa Capital”, disse o prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro.

Do agogô, instrumento Yoruba que se assemelha a um sino, veio o primeiro som. Daí por diante a cadência foi sendo construída. Das cabaças dos afoxés o som balançava até se fundir com a vibração dos atabaques. O ritmo se encorpava para que a bandeira da Paz dançasse no salão do Museu da Imagem e do Som (MISC). Ainda era só ensaio para o que viria a ser apresentado em instantes na rua 27 de Dezembro.

Às 19h, Ogum Beira Mar inundou o Beco do Candeeiro com seu exército branco. Chegou para abençoar, ocupar espaço de direito, por uma cultura de paz e tolerância. Eram os integrantes da Associação da Lavagem das Escadarias Rosário e São Benedito adentrando a primeira rua iluminada de Cuiabá com seu axé.

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“Hoje para nós é um momentos especial, é quando a Prefeitura de Cuiabá nos reconhece como movimento cultural da Capital. Quero agradecer a todos que estão aqui, todos somos Lavagem e todos buscamos um espaço dentro do contexto histórico dessa cidade. Estar dentro do Beco do Candeeiro, um local restaurado para nós povo afro brasileiro é muito importante para nós”, disse Lindsey Catarina, presidente da Associação da Lavagem das Escadarias Rosário e São Benedito.

 Enquanto a Lavagem passava, o coração pulsava no ritmo dos dedos que tocavam o atabaque. O som reverberava nas pedras cangas que pareciam recordar os passos que retornavam para casa. O retorno das raízes afro brasileiras, da capoeira, do siriri e cururu, velhas conhecidas do Beco do Candeeiro.

“Quero dizer que é um prazer e uma emoção muito grande estar perto de um povo de fé. Quem conhece minha família sabe que a minha casa sempre esteve aberta para todos. Eu tenho muito orgulho de estar aqui e peço que me vejam e sintam sempre como uma irmã de vocês. Que Deus e Oxalá abençoem todos nós, muito axé para todo mundo”, disse a secretária Carlina Rabello Leite Jacob, que participou de toda a procissão pelo Beco e também esteve ao lado da presidente da Lavagem, Lindsey Catarina e do padre Hugo no momento simbólico de soltura de uma pomba branca pela paz. O secretário-adjunto de Cultura, Justino Astrevo também esteve presente no local.

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Dos jarros com flores segurados pelas baianas vieram a água de cheiro que lavou a rua e os que assistiam e participavam do ritual. “Senhora do Rosário foi quem me trouxe aqui. Senhor do Rosário, foi quem me trouxe aqui. A água do mar é santa, eu vi, eu vi, eu vi”, cantava o exército branco, enquanto ramos de flores encharcados atiravam água perfumada e abençoada pelo ar.

“Eu tinha a fama de ser o padre mais macumbeiro da minha cidade, Campo Grande. Estou aqui como Igreja e digo que temos muito a que pedir perdão. Peço perdão a todo povo negro que teve que esconder seus orixás atrás de imagens de santo. Esse é o momento de pedir perdão, momento de que nossos ancestrais nos perdoem. Este momento é de abençoar este lugar que também já foi de sofrimento. Que nossos orixás nos abençoem, abram nossos caminhos e os purifiquem, axé”, disse padre Hugo, que representou a Paróquia Anglicana da Virgem Maria, no bairro Jardim El Dorado durante a benção.

A Associação da Lavagem dedicou o ritual em homenagem ao já falecido maestro Edinaldo Ferreira. No início da celebração foi feito um minuto de silêncio pelo falecimento da jornalista cultural, ex-assessora de imprensa da Prefeitura de Cuiabá, Alessandra Barbosa, falecida na sexta-feira (11).

Toda a programação no Beco do Candeeiro é realizada com entrada franca e limitada a 70 pessoas, respeitando as medidas de biossegurança em decorrência da pandemia da COVID-19.

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