Destaque

MP-MT aciona proprietários rurais por desmatamento ilegal e pede indenização de quase R$ 40 milhões

Publicado

na

O Ministério Público Estadual (MPE) identificou e acionou quatro proprietários rurais acusados de degradar 2,3 mil hectares em Feliz Natal, a 536km de Cuiabá.

Conforme relatório técnico de desmatamento, apurou-se o desflorestamento de 539,66 hectares na Fazenda Brilhante, 811,29 hectares na Fazenda Nova Ipê e 999,8662 hectares na Fazenda Santa Rita posterior a 2008, sem autorização expedida pelo órgão competente.

Assim, a Promotoria de Justiça de Feliz Natal requereu a confirmação das liminares e o pagamento de indenização pelos danos ambientais materiais nos valores de R$ 3 milhões, R$ 2,6 milhões e R$ 5,1 milhões, respectivamente, a serem revertidos em prol do Fundo Municipal ou Estadual do Meio Ambiente ou em projeto de natureza ambiental aprovado pelo MP. As informações foram obtidas por meio de inteligência artificial.

As Ações Civis Públicas (ACPs) propostas na quarta-feira (9) são os primeiros resultados do projeto Satélites Alerta, concebido pelo MP em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e lançado em março deste ano. O objetivo da iniciativa é utilizar a tecnologia para identificar a prática do dano ambiental ainda no início e, consequentemente, dar maior efetividade ao trabalho dos promotores de Justiça na mitigação dos efeitos danosos ao meio ambiente.

As ACPs de Feliz Natal foram propostas pelo promotor de Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino, com auxílio do Centro de Apoio Técnico à Execução (Caex) Ambiental do MP e baseadas nos levantamentos realizados pelo projeto Satélites Alerta.

O Ministério Público requereu, liminarmente, a suspensão das atividades nas áreas exploradas ilegalmente, o bloqueio de bens e ativos dos requeridos de forma a reparar os danos ambientais, a suspensão de incentivos e benefícios fiscais concedidos pelo Poder Público e a execução de Projetos de Recuperação de Áreas Degradadas ou Alteradas (Pradas) aprovados pelo órgão ambiental estadual.

Satélites Alerta

Coordenado pela Procuradoria Especializada de Defesa do Meio Ambiente e da Ordem Urbanística e pelo Centro de Apoio Operacional, o projeto consiste no desenvolvimento e implantação de uma tecnologia que permite o cruzamento de dados de áreas desmatadas e queimadas – monitoradas via satélite por sistemas do Inpe – com áreas lançadas no CAR em todo o estado.

Para isso, foi desenvolvido um módulo a partir da plataforma portável de monitoramento, análise e alerta a extremos ambientais TerraMA², do Inpe.

Os dados dessa plataforma são trazidos para a rede do Ministério Público e cruzados com outros dados para auxiliar na tomada de decisões. Tudo em conformidade com o Planejamento Estratégico 2020/2023 do MP, que tem entre seus objetivos estratégicos “elevar as ações de prevenção e de reparação de danos causados aos ecossistemas”.

Balanço

Somente em 2020, o Ministério Público identificou e abriu investigações contra 198 proprietários de áreas desmatadas ilegalmente a partir de 2008, totalizando mais de 116 mil hectares, dos quais aproximadamente 11 mil foram desmatados no último ano. As investigações recaem sobre propriedades localizadas nos municípios campeões em desmatamentos, que são: Colniza, Aripuanã, Nova Bandeirantes, Nova Monte Verde, Apiacás, Juara, Porto dos Gaúchos, Cotriguaçu, Paranaíta, Rondolândia, Nova Maringá, Tapurah, Marcelândia, Cláudia, União do Sul, Peixoto de Azevedo, Feliz Natal, Querência, Alto Boa Vista e São Félix do Araguaia.

Contudo, segundo o procurador de Justiça Luiz Alberto Esteves Scaloppe, outras áreas ainda serão investigadas uma vez que, com o uso das imagens de satélite, as provas das degradações ficam registradas.

Técnica

O MP utiliza o Prodes (projeto de monitoramento por satélites, com mapas anuais) e o Deter (detecção em tempo real, com alertas diários), que são bases do Inpe para identificar os desmatamentos.

Após fazer cruzamentos com dados oficiais, identifica os responsáveis e abre investigações. São utilizados diversos satélites e informações sobre perda de cobertura vegetal produzidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Para comprovar os ilícitos ambientais, o Ministério Público recebe os alertas oficiais do Inpe com os polígonos das áreas desmatadas. De forma automática, são criados os mapas geoespacializados dos imóveis rurais, sobrepondo-os nas imagens de alta resolução do Satélite Planet. A partir daí, se tem uma foto do imóvel com imagens do antes e do depois do desflorestamento. Por fim é feita uma análise da perda de clorofila (pigmentos fotossintéticos esverdeados) com os dados da Embrapa, gerando relatórios que quantificam as áreas desmatadas.

Com isso, é possível saber onde, quanto e quando o território foi desmatado, se havia autorização, se são florestas públicas ou outras áreas protegidas.

Com base nesses relatórios, até o momento são investigados aproximadamente 300 imóveis responsáveis pelo desmatamento de mais de 115 mil hectares no Estado. Os responsáveis estão sendo notificados a parar e não utilizar as áreas abertas de forma ilegal.

O contato com os responsáveis é feito por telefone, e-mail e notificações pessoais ou pelos Correios. No projeto estão envolvidos um procurador de Justiça e mais de 20 promotores, responsáveis por levantar dados e buscar a recuperação do meio ambiente e a responsabilização dos desmatadores.

Fonte: G1 MT
Leia Também:  SUCATAS: Ônibus podem circular no máximo 6 anos em Cuiabá
Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Destaque

Comunidades do Sucuri, Tarumã e Três Pedras recebem doações de cestas básicas

Publicado

na

As famílias em situação de vulnerabilidade social agravadas pelos efeitos da pandemiadas comunidades do SucuriTarumã e Três Pedras, localizadas na zona rural de Cuiabá, receberam 250 cestas básicas da campanha Vem Ser Mais Solidário – MT unido contra o coronavírus, na manhã da sexta-feira (18.09).  A ação do Governo do Estado é liderada de forma voluntária pela primeira-dama, Virginia Mendes, e realizada pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc).

O secretário adjunto de Assuntos Comunitários da Setasc, Édio Martins, esteve nos locais executando as entregas. “As comunidades que estamos visitando estão localizadas em regiões afastadas, que precisam da atenção e do cuidado do Estado para conseguirem passar por esse período”, ressaltou.

Campanha Vem Ser Mais Solidário – Entrega de cesta básica na Comunidade Sucuri
Créditos: João Reis/Setasc-MT

A líder comunitária, Angel Auxiliadora da Silva, destacou a importância da parceria para as comunidades. “Agradeço muito por essa parceria. Sabemos que só por meio dela é que nossas famílias estão sendo contempladas hoje”, externou.

Leia Também:  SUCATAS: Ônibus podem circular no máximo 6 anos em Cuiabá

Ilda Gomes de Jesus, 45 anos, uma das beneficiadas com a ação social, é assistida pela Associação de Catadores de Resíduos Reciclável da comunidade do Sucuri.  “Eu trabalho há muitos anos com reciclagem, mas o que recebo aqui é muito pouco e agora, com meu marido doente, a situação apertou. Esta cesta vai ajudar muito”, disse.

Campanha Vem Ser Mais Solidário – Entrega de cesta básica na Comunidade Sucuri.
Créditos: João Reis/Setasc-MT

Conhecido na comunidade de Tarumã como “zinho”, José Carlos, 46 anos, outro contemplado, disse que por ser autônomo as dificuldades aumentaram com a pandemia. “Trabalho para mim mesmo então, tudo é mais difícil. Em casa somos em oito pessoas. A despesa é alta e sem o alimento não dá. Achei a iniciativa ótima”.

Os moradores em situação de risco social do bairro Jardim Paula II, em Várzea Grande, também receberam os donativos. Foram entregues para as famílias 70 sacolões com alimentos e produtos de higiene pessoal e limpeza. “Fui atrás da primeira-dama por essa ajuda e ela me atendeu com essa gratificação maravilhosa”, comentou a presidente do bairro, Lenilda Afonso José.

Leia Também:  Redação ganha foco na última semana de aula do CPC antes do Enem

Campanha Vem Ser Mais Solidário – Entrega de cesta básica no bairro Jardim Paula II – VG
Créditos: João Reis/Setasc-MT

Mais entregas

O Governo do Estado também assistiu com doações as associações de Permissionários do Transporte Escolar de Mato Grosso (Aspetret), de Moradores do bairro 1º de Março, do Residencial Wantuil de Freitas, e do Jardim Europa. Ao todo, foram doadas 476 cestas básicas.

A presidente do bairro Jardim Europa, Rosa Barbosa, agradeceu as doações. “Agradeço por esse trabalho excelente que a primeira-dama, Rosamaria e toda sua equipe vem realizando em prol do social e da nossa comunidade”.

“Estou aqui em nome de todos para agradecer o Estado pela ajuda que está sendo essencial para a nossa categoria que está há seis meses está parada”, completou Jussania Santos, presidente da Aspetret.

Continue lendo

PUBLICIDADE

POLÍTICA

ECONOMIA

VARIEDADES

MAIS LIDAS DA SEMANA