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Em 10 anos, “Sherlock de MT” promoveu mais de 100 reencontros

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Há dez anos, o mato-grossense Cosme Bezerra da Silva dedica o seu tempo livre para encontrar pessoas dadas como desaparecidas em todo o Brasil. Trabalhando como “localizador de pessoas”, como gosta de ser chamado, ele se orgulha de contar que já promoveu mais de 100 reencontros.

Em entrevista Cosme revela que já encontrou pessoas até mesmo na Espanha e na Bolívia. E engana-se quem acha que ele limita suas buscas à internet. Segundo ele, foi batendo de porta em porta e conversando com as pessoas que ele conseguiu resolver 90% dos casos que chegaram às suas mãos.

“Eu saio, vou até o local, bato nas portas, pergunto aos vizinhos. Porque nem sempre a tecnologia me dá as informações atualizadas ou corretas. Raramente eu uso mídia social para localizar alguém, porque lá [internet], as pessoas usam apelidos, sobrenomes, o que dificulta meu trabalho. Foram pouquíssimas as vezes em que usei as redes sociais”, conta.

Atuando praticamente como um Sherlock Holmes em Mato Grosso, Cosme, atualmente com a ajuda do filho, de 34 anos, percorre todo o Estado seguindo pistas que possam levar a um resultado satisfatório em algum caso.

Nunca havia me passado pela cabeça receber por isso um dia, até porque já tinha um emprego. Mas depois que me desvinculei da minha outra função, pensei que era uma possibilidade de complementar a renda

“Trabalho há alguns anos desse jeito, mas eu nunca havia pensado em divulgar nada. Cheguei a abrir um escritório, mas sempre fui discreto, porque antes eu exercia outra atividade e não podia divulgar esse trabalho”, conta.

“Eu vi que as pessoas sempre solicitavam para encontrar pais biológicos ou filhos por aí. Nunca havia me passado pela cabeça receber por isso um dia, até porque já tinha um emprego. Mas depois que me desvinculei da minha outra função, pensei que era uma possibilidade de complementar a renda. E já tinha uma clientela que ajudava”, explica.

 

Procura por amor

A vontade em ajudar as pessoas, como ele gosta de dizer, ocorreu ainda quando era apenas um garoto 14 anos, ao assistir o noticiário e ver que no Brasil havia mais de 100 mil pessoas sendo procuradas.

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Filhos de pais separados, ele se comoveu em pensar que muitas pessoas não tinham contato com seus entes queridos.

“Eu percebi que isso é um segmento. Existe uma verdade que é: ‘Quem não convive, não ama, mas quem é abandonado, sente a falta do ente querido’”.

Com baixo custo, o “localizador de pessoas” diz não cobrar valores exorbitantes pelo trabalho e diz que, quando se comove com uma história, chega a usar, inclusive, de seus próprios recursos para concluir um caso.

“Tivemos que ir duas vezes a São Paulo com nossos próprios recursos. Nós não tivemos esse compromisso da pessoa pagar com nada. Falamos que ela apenas pagaria se desse certo. Nós acertaríamos os valores. E estamos há três anos nesse caso, mas até hoje ainda não encontrei, porque a pessoa [procurada] está vivendo com documento falso”, conta.

No entanto, o caso acima é uma exceção. Ele se recorda de um reencontro entre mãe e filho que teve um final feliz após 11 dias de trabalho. Na ocasião, o filho morava em Bom Sucesso, em Várzea Grande, e não via a mãe desde quando era criança.

A mãe foi encontrada morando no Rio de Janeiro e após ser contatada por Cosme, os familiares promoveram um reencontro, que foi filmado.

O mato-grossense acredita que, se tivesse se dedicado à função há mais tempo, já teria em seu histórico milhares de pessoas encontradas.

 

Outras funções

Cosme diz que muitas pessoas o confundem com investigador ou detetive, mas que não se classifica desta forma, pois sua função, de acordo com ele, não é investigar a vida das pessoas, apenas encontrá-las.

“Isso envolve até mesmo investigação conjugal, coisa que nunca fiz e nunca vou fazer, não é a minha praia. Eu não posso ser feliz em um negócio onde só eu ganho. As outras pessoas também têm que sair feliz”, diz.

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No entanto, além de pessoas, Cosme também localiza veículos para vítimas de roubo ou furto e ajuda advogados a localizarem pessoas alvos de ação judicial.

“Nós já localizamos veículos roubados, inclusive dentro de pátio dos Ciretrans do Estado e devolvemos o veículo para a pessoa. As autoridades nem sempre estão preocupadas em ressarcir ao bem para quem é de direito. Também localizamos pessoas para advogados que querem intimar para uma ação, como receber herança, por exemplo”, exemplifica.

Por conta própria, Cosme tanmbém encontra pessoas que devem pensão alimentícia sem cobrar nada.

“Eu não cobro, quando é devedor. Se for pra ter que encontrar pra pagar pensão do filho eu não cobro, porque quem colocou no mundo, tem que cuidar”, afirma.

Questionado se acredita que a sua atuação soma ao trabalho da Polícia Civil, Cosme diz que sim, mas ressalta que nunca trabalhou em conjunto com eles, apenas ajudando em casos particulares.

“Eu não tenho nenhum vínculo com a Polícia. Alguns [policiais civis] já me procuraram, mas para resolver problemas particulares. Também não me vejo como um apoiador da Polícia Civil, porque a investigação deles é feita somente através de dados que a segurança e os órgãos competentes têm. Eu vou além disso. Já localizei uma senhora aqui de Cuiabá que há 60 anos não conhecia a irmã. Eu passei todas as informações e elas se encontraram”, conta.

O mato-grossense diz que se sente agradecido por conseguir promover a felicidade para o outro.

“Eu me sinto agradecido, agradeço a Deus por ter me dado essa visão, porque não é só o dinheiro que conta. As pessoas precisam se preocupar com o próximo e eu vejo isso que faço como uma forma de preocupação, porque eu sou filho de pais separados. A gente sabe como é bom ter uma família, ter pai e ter mãe, e a maioria dessas pessoas não tiveram isso”, afirma.

Quem tiver interesse no trabalho prestado por Cosme pode entrar em contato com ele pelo número (65) 9 9291-3310 ou pela página no Facebook.

 

 

Fonte: Midia News

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Símbolo de respeito e ocupação histórica: Beco do Candeeiro recebe bênçãos da Lavagem do Rosário e São Benedito

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“Na beira da praia, Ogum Sete Ondas, Ogum Beira Mar” foi o que se escutou as margens da Prainha, no Beco do Beco do Candeeiro, na noite da última sexta-feira (11). O projeto Afro Sagrado, executado pela Associação Lavagem das Escadarias Rosário e São Benedito realizou a benção dos candeeiros para celebrar a presença ancestral africana. Logo depois, o grupo musical Raízes do Samba se apresentou com repertório nacional. No local, também foi comercializado comidas típicas regionais. Os eventos realizados no Beco são promovidos pela Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer por determinação do prefeito Emanuel Pinheiro, gratuitamente e seguem todas as medidas de biossegurança.

“É preciso respeitar as raízes do povo cuiabano, respeitar a fé tão diversa da nossa gente. A gestão Emanuel Pinheiro restaurou o Beco do Candeeiro para ser lugar de encontro, de exaltação da arte, da cultura, das tradições e vamos cada vez mais, promover a paz e união neste lugar tão simbólico da nossa Capital”, disse o prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro.

Do agogô, instrumento Yoruba que se assemelha a um sino, veio o primeiro som. Daí por diante a cadência foi sendo construída. Das cabaças dos afoxés o som balançava até se fundir com a vibração dos atabaques. O ritmo se encorpava para que a bandeira da Paz dançasse no salão do Museu da Imagem e do Som (MISC). Ainda era só ensaio para o que viria a ser apresentado em instantes na rua 27 de Dezembro.

Às 19h, Ogum Beira Mar inundou o Beco do Candeeiro com seu exército branco. Chegou para abençoar, ocupar espaço de direito, por uma cultura de paz e tolerância. Eram os integrantes da Associação da Lavagem das Escadarias Rosário e São Benedito adentrando a primeira rua iluminada de Cuiabá com seu axé.

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“Hoje para nós é um momentos especial, é quando a Prefeitura de Cuiabá nos reconhece como movimento cultural da Capital. Quero agradecer a todos que estão aqui, todos somos Lavagem e todos buscamos um espaço dentro do contexto histórico dessa cidade. Estar dentro do Beco do Candeeiro, um local restaurado para nós povo afro brasileiro é muito importante para nós”, disse Lindsey Catarina, presidente da Associação da Lavagem das Escadarias Rosário e São Benedito.

 Enquanto a Lavagem passava, o coração pulsava no ritmo dos dedos que tocavam o atabaque. O som reverberava nas pedras cangas que pareciam recordar os passos que retornavam para casa. O retorno das raízes afro brasileiras, da capoeira, do siriri e cururu, velhas conhecidas do Beco do Candeeiro.

“Quero dizer que é um prazer e uma emoção muito grande estar perto de um povo de fé. Quem conhece minha família sabe que a minha casa sempre esteve aberta para todos. Eu tenho muito orgulho de estar aqui e peço que me vejam e sintam sempre como uma irmã de vocês. Que Deus e Oxalá abençoem todos nós, muito axé para todo mundo”, disse a secretária Carlina Rabello Leite Jacob, que participou de toda a procissão pelo Beco e também esteve ao lado da presidente da Lavagem, Lindsey Catarina e do padre Hugo no momento simbólico de soltura de uma pomba branca pela paz. O secretário-adjunto de Cultura, Justino Astrevo também esteve presente no local.

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Dos jarros com flores segurados pelas baianas vieram a água de cheiro que lavou a rua e os que assistiam e participavam do ritual. “Senhora do Rosário foi quem me trouxe aqui. Senhor do Rosário, foi quem me trouxe aqui. A água do mar é santa, eu vi, eu vi, eu vi”, cantava o exército branco, enquanto ramos de flores encharcados atiravam água perfumada e abençoada pelo ar.

“Eu tinha a fama de ser o padre mais macumbeiro da minha cidade, Campo Grande. Estou aqui como Igreja e digo que temos muito a que pedir perdão. Peço perdão a todo povo negro que teve que esconder seus orixás atrás de imagens de santo. Esse é o momento de pedir perdão, momento de que nossos ancestrais nos perdoem. Este momento é de abençoar este lugar que também já foi de sofrimento. Que nossos orixás nos abençoem, abram nossos caminhos e os purifiquem, axé”, disse padre Hugo, que representou a Paróquia Anglicana da Virgem Maria, no bairro Jardim El Dorado durante a benção.

A Associação da Lavagem dedicou o ritual em homenagem ao já falecido maestro Edinaldo Ferreira. No início da celebração foi feito um minuto de silêncio pelo falecimento da jornalista cultural, ex-assessora de imprensa da Prefeitura de Cuiabá, Alessandra Barbosa, falecida na sexta-feira (11).

Toda a programação no Beco do Candeeiro é realizada com entrada franca e limitada a 70 pessoas, respeitando as medidas de biossegurança em decorrência da pandemia da COVID-19.

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