Lixo e esgoto levados pela chuva ao rio resultam na morte de centenas de peixes

Peixes mortos, esgoto, muito lixo e água escura. Este é o cenário encontrado às margens do Rio Cuiabá, na região da comunidade São Gonçalo Beira Rio, pouco depois de um dos mais longos períodos de estiagem vivido na Grande Cuiabá, nas últimas décadas.

Parte do lixo da cidade e entulhos que se acumularam no período da seca dentro de córregos e bocas de lobo foram parar no rio, após a chuva registrada no inicio desta semana.

Porém, a estimativa é que com as próximas precipitações, que devem ocorrer em breve, a situação seja ainda pior já que a intensidade deve ser maior e a quantidade de lixo carregada pelas águas igualmente.

A chuva do início dessa semana ocorreu após mais de 130 dias de seca e foi marcada por ventos fortes com rajadas que chegaram a quase 70 km/h e com um volume de 30,4 mm. Uma média de precipitação considerada razoável pelos especialistas. Para as próximas chuvas a previsão, no entanto, é de volumes maiores que 50 mm.

O biólogo e pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Romildo Gonçalves,  explica que todo esse cenário pós-chuva ainda é só uma amostra do que está por vir, já que a chuva não foi uniforme na Grande Cuiabá.

Em alguns bairros foi registrada apenas uma garoa fina, o suficiente para levar o que já estava nas águas dos córregos, mas não o bastante para levar os lixos e entulhos que ainda estão às margens e barrancos. Um exemplo da situação citada pelo professor é o córrego Gumitá, na região do bairro Vila Rosa, na capital.

Às margens do Rio Cuiabá, o pescador Allain Pierre recolhia os peixes que estavam boiando correnteza abaixo. Ele contou que estava no local desde 5h da manhã, quando viu uma quantidade enorme de lixo e animais mortos. “Muito lixo e muito peixe morto já desceu até às 10h. Logo cedo você via muito plástico rodando aqui”. Ele lamenta os peixes mortos tão próximo à Piracema já que estavam cheios de ovas. “Na próxima semana eles já deveriam começar a desova”.

O professor Romildo Gonçalves lembra que com a grande quantidade de lixo levada pelas águas das chuvas para os rios, vão também produtos químicos e dejetos, causando a perda de vegetação nas margens e o assoreamento, refletindo na perda de um ambiente saudável para os peixes. “Infelizmente é o que temos visto acontecer. Muitos peixes morrem devido a toda essa poluição, que causa ainda a diminuição do nível dos rios”.

Acostumados com essa cena triste e com o odor às margens do rio, moradores da comunidade São Gonçalo afirmam que é comum ver até mesmo geladeira e sofá descendo pelas águas.

Outro lado 

O secretário de Serviços Urbanos, José Roberto Stopa explica que a pasta tem feito o trabalho de limpeza de córregos e, até o mês passado, era realizada também a coleta de lixo do rio pela balsa ecológica, que retirava em média 7,5 toneladas de lixo por dia das águas. Porém, o motor foi furtado e a coleta nas águas suspensa, até que outro motor seja providenciado.

Na chuva do dia 23, o secretário explicou que o maior problema não foi em relação à água, já que a secretaria não registrou nenhum alagamento ou transbordamento de córregos mas, sim, em relação ao vento. “Tivemos que atender mais de 30 ocorrências de árvores caídas”. No entanto, ele reconhece que uma enorme quantidade de lixo chegou até aos rios e lembra que o problema maior está na cultura da sociedade em não se sensibilizar.

“Não adianta apenas a prefeitura ir e limpar. Os moradores têm que entender que não podem jogar lixo nos córregos, nas ruas. Enquanto isso não acontecer vamos continuar enxugando gelo. Nós vamos lá e limpamos, mas horas depois já tem gente jogando lixo novamente”.

 

 

 

Fonte: O Bom da Notícia | Foto: Reprodução

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