Comércio resiste à ideia de transformar 13 de Junho em calçadão

Uma proposta de transformar a Rua 13 de Junho, no Centro Histórico de Cuiabá, em um calçadão está sendo discutida entre a Prefeitura de Cuiabá e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Cuiabá. Conforme a gestão municipal, uma pesquisa foi realizada com os comerciantes do local e o resultado ficou “praticamente empatado”.

 

De acordo com a Prefeitura, nenhuma obra será executada no local sem o consentimento de todos os lojistas da área.

 

Trabalhando como vendedora em uma loja de artigos para bebês que existe há mais de 44 anos na Rua 13 de Junho, Dulcineia Ribeiro afirmou que é contra a mudança no local. Para ela, as vendas, que já não estão boas, vão piorar ainda mais.

 

“Transformar a 13 de Junho em calçadão é uma das formas de acabar com a região central. Os calçadões são espaços sem movimento, as pessoas em situação de rua tomam conta para dormir. Vai acabar com a calçada onde os taxistas ficam. Além disso, os pontos de ônibus trazem fluxo de pessoas na rua. Então, [se fechar] não teremos mais pessoas andando”, disse.

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Rua 13 de Junho 12082019

Taxista João Fernandes: “Essa conversa existe desde a época de Júlio Campos”

Gerente de uma loja de roupas, Ednalva Sampio também disse ser contra a proposta. Ela contou que uma equipe da CDL Cuiabá passou pelas lojas fazendo um estudo no começo deste mês, mas que, na opinião dela, a rua ficará “morta”. “Pelo que estou sabendo, a maioria [dos lojistas] é contra”, ressaltou.

 

Conforme a Prefeitura, uma reunião com os comerciantes ainda deverá ser marcada.

 

As vendedoras Adriana de Oliveira Souza e Samya Morgado ressaltaram o medo dos lojistas em relação à queda nas vendas na área. Elas contaram que os estabelecimentos localizados nos calçadões do Centro Histórico fecham as portas mais cedo, fator que prejudica a venda de produtos.

 

“Nos calçadões, as lojas fecham às 15h. Aqui [na Rua 13 de Junho], temos que fechar as portas porque senão os clientes não param de entrar. O cliente passa de carro aqui na frente, as vezes até pedem para ver uma roupa ou outra, temos que levar até eles. Algumas vezes fechamos com cliente dentro mesmo. Calçadão não tem isso”, disse Adriana.

 

O taxista João Fernandes, que trabalha no mesmo ponto na Rua 13 de Junho desde 1982, afirmou acreditar que a proposta não “sairá do papel”. Além disso, o motorista também ressaltou que retirar o trânsito da via na região Central causará congestionamentos em outras áreas.

 

“Esse calçadão na 13 de Junho é uma briga há mais de 30 anos, desde à época de Júlio Campos tem essa conversa. Mas isso não sai do papel, não. Cuiabá não tem estrutura para isso. Esse trânsito vai passar onde? Se fechar aqui, fecha toda a área central, não vai ter nem como descarregar mercadorias”, explicou.

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Favorável à proposta do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), a vendedora Adineia Maria disse que a mudança não causará impacto nas vendas. Para ela, a ausências da passagem de veículos e ônibus no local seria postiva para a circulação de pedestres.

 

“Tem gente que fica com dificuldade para atravessar por causa dos carros. Seria até bom. As pessoas estacionam aqui, mas às vezes nem compram nas lojas da 13 de Junho. Só deixam o carro e vão para outros lugares”, afirmou.

 

 

 

Fonte: Midia News Foto: Alair Ribeiro

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