Para secretário de Fazenda, não há o que investir na Saúde apenas na Infraestrutura

Por O Bom da Notícia

Diante de um dos momentos mais críticos enfrentados pela Saúde de Cuiabá, o secretário Municipal de Fazenda, Antônio Roberto Possas de Carvalho, defende que a Saúde Municipal não precisa de investimentos em Infraestrutura. A declaração foi dada nesta quarta-feira (5) ao ‘O Bom da Notícia’ em uma entrevista exclusiva no seu gabinete, na Prefeitura de Cuiabá.

Segundo o gestor, os vultuosos empréstimos feitos pelo prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), sem computar os juros, chegam a R$ 748,6 milhões em financiamentos que serão, no entanto, destinados exclusivamente para obras de Infraestrutura.

Irmão do secretário de Saúde Luiz Antônio Possas de Carvalho, o titular da Fazenda declarou que a saúde não precisa de investimentos em obras estruturais, já que a cidade possui o novo Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) e, além disso, há previsão para que todas as unidades de saúde da família sejam reformadas até o final de 2019.

A Saúde não precisa de investimentos, em termos de construção, para mais nada

“A Saúde não precisa de investimentos, em termos de construção, para mais nada. Porque temos um hospital que foi classificado pelo Ministério da Saúde como o terceiro melhor do Brasil, o HMC. Até ano que vem teremos concluído as reformas de todos os postos de saúde. Ainda tem as UPA´S [unidade de pronto atendimento] que serão inauguradas”, avaliou ele.

“O que acontece? Investimento na saúde que precisa ser feito? Não há! O que precisa ser feito na Saúde agora é custeio, pagamento de custeio, de manutenção e isso aí o Ministério da Saúde está sensibilizado e vai colaborar” completou.

Possas apontou para o fato de que o Pronto Socorro Municipal de Cuiabá (PSMC) sempre apresenta superlotação pelo fato de, segundo ele, acabar recebendo pacientes de outros municípios, até mesmo de outros Estados.

“Tem pacientes até de outros países no Pronto Socorro. Hoje, quase 70% dos pacientes não são de Cuiabá”, disse ele.

ORÇAMENTO X GESTÃO 

Se por um lado o orçamento da Saúde é a maior “fatia do bolo”, cerca de R$ 900 milhões por ano, do outro lado a pasta é a que mais apresenta problemas de gestão. Denúncias de falta de materiais de trabalho para os profissionais da saúde são constantes e foram apontadas até mesmo pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) nesta semana.

Confira AQUI, no Portal Transparência da Prefeitura de Cuiabá, as despesas com cada secretaria.

A Câmara de Vereadores de Cuiabá convocou o secretário municipal de Saúde, Luiz Antônio Possas de Carvalho, para dar explicações, na próxima quarta-feira (12), sobre as mais diversas denúncias que vêm sendo realizadas desde a falta de medicamentos até materiais básicos de trabalho no Pronto Socorro de Cuiabá.

Nós sabemos que obras nas unidades de saúde estão por fazer e outras paralisadas, como por exemplo, a do bairro Jardim Imperial. Porque?

Durante sessão nesta quinta-feira (6), o presidente da Câmara, Misael Galvão (PSB), chegou a dizer que não consegue entender como a Secretaria de Saúde, tendo o maior orçamento, não consegue suprir a falta dos materiais nas unidades de saúde da capital. Segundo ele, Possas precisa dar explicações à sociedade.

O OUTRO LADO 

Ao site, o diretor de Comunicação do Sindicato dos Médicos, Adeildo Lucena, disse que a infraestrutura dos Postos de Saúde da Família (PSF), bem como do Pronto Socorro e Unidades de Pronto Atendimento (UPA) carecem, e muito, de obras de readequação.

Se mostrando indignado com as declarações do secretário de Fazenda, ele chegou a dizer que todo caos administrativo e estrutural encontrado na atualidade, irá repercutir no novo HMC. Ele apontou ainda para o fato de existirem obras paralisadas em unidades de saúde.

“Essa estória de que não precisa de investimento em estrutura física… Ora, nós temos uma carência imensa de leitos de retaguarda. A questão do novo HMC não vai resolver isso. Não vai, de forma alguma! Nós sabemos que obras nas unidades de saúde estão por fazer e outras paralisadas, como por exemplo, a do bairro Jardim Imperial. Porque? Alguém tem que intervir”, disse ele.

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