VLT é saúde

Nos últimos anos, já com os reflexos de grandes congestionamentos e poluição ambiental nas grandes cidades, as atenções se voltaram novamente para o transporte coletivo. Apesar do crescimento do setor metroferroviário em algumas cidades, houve também o aumento expressivo do número de veículos prejudicando sobremaneira o meio ambiente. Em São Paulo, por exemplo, os automóveis transportam 30% dos passageiros, mas emitem 73% dos poluentes.

 

A preocupação com a saúde é tão grande no Velho Continente que a Suécia propôs que a União Europeia proíba carros a gasolina e a diesel a partir de 2030. Vários países já estão antecipando essa política sustentável, como a Inglaterra, Alemanha, França, Holanda e Noruega. Já a Índia quer se livrar dos motores a combustão 10 anos antes. Até a China, maior mercado automotivo mundial, causou surpresa ao anunciar que se prepara para proibir a venda de carros movidos a combustíveis fósseis. Ou seja, a consciência dos danos causados por esse veneno imperceptível está se tornando uma unanimidade.

 

A poluição emitida pelos gases dos veículos a gasolina e diesel costuma ser um assassino silencioso e é um dos maiores riscos à saúde em todo o mundo. Isso leva mais gente aos hospitais por doenças como asma, bronquite e até câncer de pulmão e da bexiga. O que não desejamos! Queremos, sim, envelhecer com saúde utilizando um transporte limpo e saudável.

Hoje, quando se fala em cidades inteligentes, não se consegue desvincular o transporte ecologicamente correto da mobilidade urbana para tornar a vida das pessoas menos estressante

Dentre as alternativas inovadoras para resolver o problema, destaca-se o VLT – Veículo Leve sobre Trilhos – como a solução de mobilidade urbana mais adequada e que vem alcançando grande sucesso nos mais diversos países.

 

Hoje, quando se fala em cidades inteligentes, não se consegue desvincular o transporte ecologicamente correto da mobilidade urbana para tornar a vida das pessoas menos estressante, dinamizar os deslocamentos com conforto e segurança e melhorar a qualidade de vida da população.

 

No Brasil, algumas regiões metropolitanas já operam o VLT. Em Santos-São Vicente, na Baixada Santista, o sistema é elétrico e conta com trens produzidos pela Vossloh. Em Sorocaba a primeira linha tem 11 km e operada pelo Consórcio BR Mobilidade. O VLT do Rio de Janeiro percorre o Centro e o Porto da cidade, conectando todas as demais redes de transporte metropolitano – metrô, trens, ônibus, barcas e teleférico – além do aeroporto, da rodoviária e do terminal de cruzeiros, a frota é composta por 32 trens Alstom Citadis, com captação de energia do solo. O VLT do Recife é operado pela CBTU, são duas linhas com 33,9 km de extensão. Liga as cidades de Recife e Jaboatão dos Guararapes. Em Fortaleza, o VLT é operado pelo Metrô, o sistema conta com 10,8 km passando por 8 estações. Outras cidades, como Maceió, Natal, João Pessoa e Teresina possuem VLT a diesel, não recomendável, mesmo que esse transporte sobre trilhos sirva para retirar milhares de veículos das ruas.

 

Outras cidades brasileiras pretendem implantar o Veículo Leve sobre Trilhos como Brasília e Goiânia. Na capital federal, ligando Brasília a Valparaíso (GO), no Entorno do Distrito Federal. E na capital goiana, cortando a principal e maior artéria da cidade, a avenida Anhanguera.

 

Em Cuiabá, as obras estão paralisadas há 7 anos, sendo que um pequeno trecho com uma estação, ao lado do aeroporto, em Várzea Grande, está pronto. Pelo projeto original, orçado em R$ 1,4 bilhão, o VLT pretende ligar Várzea Grande a Cuiabá, com 22 km de trilhos movidos a energia elétrica e 33 estações de embarque e desembarque. As 40 composições com um total de 280 vagões, produzidas pela empresa espanhola Construcciones y Auxiliar Ferrocarriles (CAF), situada em Beasain, País Basco, foram compradas antecipadamente, trazidas de navio para o Brasil e são mantidas a céu aberto em uma área nas proximidades do aeroporto.

 

Em dezembro passado, o governo do Estado rompeu o contrato com o Consórcio VLT Cuiabá (formado pelas empresas CR Almeida, Santa Bárbara, CAF Brasil Indústria e Comércio, Magna Engenharia e Astep Engenharia) e anunciou estudos para uma nova licitação.

 

Como o Tribunal de Contas da União e os tribunais de contas dos Estados têm repetidamente dito que a obra mais cara de todas é a obra parada, certamente o VLT de Várzea Grande e Cuiabá será um dos mais caros do Brasil, isso se nada acontecer com os 280 vagões que se deterioram.

 

Como já disse, é hora da sociedade civil mato-grossense se manifestar e pressionar para que uma solução se dê ao problema dos desvios e da paralisação das obras. Uma solução que coloque a obra em andamento e faça com que o mais rápido possível a população tenha acesso ao VLT elétrico. Medida que terá impacto positivo na saúde de todos e na mobilidade das duas cidades. Não se pode admitir mais atrasos.

 

VICENTE VUOLO é economista e cientista político.

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