Morador de rua, acadêmico de Engenharia da UFMT faz vaquinha na internet para conseguir abrigo

Luiz Carlos Toledo, de 60 anos, acadêmico do 1º semestre de Engenharia Química da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso), é morador em situação de rua em Cuiabá e faz vaquinha na internet para conseguir um abrigo.

A vaquinha, que tem como meta arrecadar R$ 1.500,00, foi criada por alunos do curso de Engenharia Química.

Juliano Batista dos Santos, professor do campus do IFMT de Cuiabá e cuja tese de doutorado envolve moradores em situação de rua, é um dos que está ajudando o estudante.

Nesta segunda-feira, 06 de maio, primeiro dia de aula de Luiz Carlos, Juliano Batista deflagrou na internet uma campanha para ajudar o estudante.

Ele conseguiu comprar um saco de dormir ao divulgar a situação de Luiz Carlos em seu perfil no Facebook. Também conseguiu ajuda para financiar a sua alimentação no Restaurante Universitário, o RU, durante todo o mês de maio.

Juliano Batista informa que Luiz Carlos enfrenta hoje quatro necessidade imediatas: alimentação, roupas, material escolar e moradia. “As três primeiras estão, por enquanto, garantidas para este mês. Sobre a moradia, não sabemos”.

Luiz Carlos conseguiu dormir na Casa do Estudante na noite de segunda, porém ele não tem espaço garantido. “Pedimos uma força para ele dormir lá, mas ele não faz parte da Casa do Estudante. Ele está apenas fazendo uso do espaço por meio do saco de dormir, porque lá é um local que a gente sabe que é seguro”.

Segundo Juliano, o universitário está pleiteando o edital, tanto para a casa do Estudante, que é o auxilio permanência, quanto também para as refeições.

Luiz Carlos é natural de São Paulo e no final de 2017 havia feito a prova do Enem, tirou uma boa nota e se inscreveu no Sisu. “Também consegui uma nota boa para o curso de Ciências da Computação na Unemat, em Alto Araguaia”. Lá ele ficou numa casa de estudantes, porém em condições bem precárias e viu no processo seletivo da UFMT uma chance de buscar novos horizontes.

O estudante passou por todo o processo e no dia 07 de abril entregou sua documentação no CAE (Centro Acadêmico Estudantil) da UFMT para comprovar o que declarou na ficha de inscrição.

A primeira alternativa foi recorrer a um albergue localizado na estrada da Guia. Luiz Carlos estava numa situação tão difícil que nem sapatos tinha. Hoje o estudante não está mais no albergue e encontra-se em situação de rua. Ele acabou conhecendo Juliano pelo Facebook.

Luiz Carlos já procurou a Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (PRAE) a fim de garantir uma vaga na Casa do Estudante e já se inscreveu em dois editais em andamento:

EDITAL/PRAE Nº 8/2019 Seleção de estudantes de graduação presencial para o Programa de Acolhimento Imediato da Assistência Estudantil – PAI primeiro semestre de 2019 Campus: Araguaia, Cuiabá, Rondonópolis e Várzea Grande.

EDITAL/PRAE Nº 5/2019 Cadastro de estudantes de graduação presencial para participação no Programa de Assistência Estudantil fluxo contínuo para o ano letivo de 2019 – Campus de Cuiabá e Várzea Grande.

Circuito Mato Grosso entrou em contato com a PRAE que nesta quarta-feira (08) vai passar informações sobre os programas de assistência estudantil.

Pesquisa e solidariedade

Juliano Batista dos Santos é natural de Minas Gerais, mora há 10 anos em Mato Grosso, é formado em filosofia e professor no IFMT Campus Cuiabá. Seu mestrado é “Estudo de cultura contemporânea”, estudou flanela e malabaristas de rua e no dia 13 de maio vai defender a tese “Errantes Urbanos: funções corporais e táticas de sobrevivência dos moradores de rua em Cuiabá”.

“Há três anos em oferece um café solidário para as pessoas em situação de rua aqui em Cuiabá. Todos os sábados, entre 7h e 9h, lá na Praça da República e também realizo ações de orfanato e outras ações paralelas”.

A tese

A tese de doutorado que Juliano Batista dos Santos irá defender na próxima semana é o resultado de um longo estudo sobre as pessoas em situação de rua no município de Cuiabá, mais precisamente na região geograficamente denominada de Centro Norte.

A pesquisa, segundo o professor, traz à tona, a partir de observações in loco, a vida ordinária dos moradores de rua em Cuiabá. “Vida que, independentemente de sua condição subumana, é um universo à parte, ainda pouco conhecido e excessivamente estereotipado pelo social-coletivo”.

Um mundo, de acordo com Juliano Batista, “cujo estrato econômico não apenas ressignifica os seus corpos e percepções de moralidades, como igualmente os tornam invisíveis, impedindo-os de frequentarem determinados lugares, de acessarem serviços públicos gratuitos e de comprarem coisas simples e básicas, tais como alimentos e roupas”.

 

 

 

 

Credito:CircuitoMT

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