Feminismo

Quando mulheres escrevem que “feminismo é coisa de desocupadas”, como li recentemente em comentários na internet (reportagens, redes sociais…), fico triste e ao mesmo tempo reflexiva.

 

Penso principalmente no quanto essas cidadãs deveriam pesquisar e ler sobre a história da mulher na sociedade, não apenas no Brasil, mas no planeta. Saber, por exemplo, que até 1800 nem éramos consideradas cidadãs.

 

Tanto que a escritora francesa Olímpia de Gouges escreveu, em 1791, um documento que ficou conhecido como “Declaração dos Direitos da Cidadã e da Mulher”. Era uma crítica à “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão” que acabava de instituir novos direitos aos homens, porém excluía as mulheres.

 

Que por muitos séculos nem o direito de ir e vir tínhamos, ao contrário, vivíamos na cláusula doméstica. Quando solteira, a única possibilidade de sair de casa era para ir à igreja e mesmo assim acompanhada por um homem, que poderia ser o pai ou irmão. Depois, casada, na companhia do marido.

Mulheres continuam sendo mantidas enclausuradas e sendo mortas por homens que, assim como seus antepassados, pensam que somos propriedade deles

Que também não poderíamos frequentar a escola porque, no entendimento masculino, não havia necessidade já que para ser dona de casa, mãe e esposa não se exigia conhecimento formal. Subalternas ao poder do pai ou do marido, não tínhamos nem voz quanto mais direitos.

 

E ainda, que até pouco tempo os homens poderiam nos matar em defesa da honra e sequer ser levado a julgamento. E nas raras vezes que sentavam no banco dos réus ainda eram absolvidos, saiam livres dos Tribunais acreditando e espalhando que matou alguém que o desrespeitou, ou seja, que errou e mereceu morrer. Isso acontecia no Brasil, um país onde nunca tivemos a pena de morte reconhecida.

 

Portanto, se hoje temos liberdade, direitos e voz, ou se a mulher pode estar onde quiser e fazer o que quer, até mesmo decidir não estudar e ficar em casa cuidando dos filhos e do marido, é porque muitas, bem antes de nós, ousaram, desafiaram e foram às ruas lutar por direitos.

 

Mulheres continuam sendo mantidas enclausuradas e sendo mortas por homens que, assim como seus antepassados, pensam que somos propriedade deles. Só que hoje a clausura é classificada como cárcere privado, portanto crime, e matar é feminicídio, crime grave.

 

Feminismo é um movimento político e social que vem de longa data, é de extrema necessidade e precisa ser permanente. Assim, para quem não sabe, vamos simplificar e deixar apenas a definição do dicionário Aurélio: “feminismo é um movimento cujos preceitos indicam e defendem a igualdade de direitos entre seres humanos, mulheres e homens”.

 

ALECY ALVES é jornalista e estudante de Serviço Social.

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