A história por trás do Vice

A base principal do filme, Vice, não está na trajetória política de um vice-presidente dos EUA, Dick Chaney. O filme conta, ao redor do vice, um momento histórico e trás montes de denuncias sobre a atuação do partido Republicano nos EUA desde a renúncia de Richard Nixon (1974).

 

Os EUA vinham da derrota no Vietnã, do caso Nixon e a crise do petróleo. O filme mostra como milionários do país criaram meios e doaram fortunas para ganhar a opinião pública para o lado mais conservador ou fazer a América grande outra vez (mesma fala do Trump agora). Aparecem ali rádios e televisões mais conservadoras, como a Fox. Elegeram Ronald Reagan, George Bush pai e também o filho. Um momento de quase domínio Republicano.

 

O partido encontrou, através da chamada Autoridade Executiva, bolada por Antonin Scalia, uma maneira que dava poder quase absoluto ao Executivo. O filme insinua que Scalia, indicado pelo partido para a Suprema Corte, foi o voto decisivo naquela confusa eleição na Flórida que elegeu Bush filho. Os Republicanos no governo abaixaram impostos para os mais ricos que trouxe consequências nas contas públicas futuras.

O filme, pondo dedo na ferida de tantos casos da politica do país, como sempre faz Hollywood, ganhou prêmio somente de maquiagem

O mais sugestivo é como fizeram para manipular e ganhar o homem comum para essa e outras ideias. Impressiona como mentiram e manipularam a população do país para a invasão do Iraque. Colin Powel, Secretário de Defesa, foi forçado a fazer a declaração de que o Iraque tinha armas de destruição em massa. Arrependeu-se, até se demitiu.

 

Empresas norte-americanas de petróleo, principalmente a Halliburton, que Chaney dirigiu, ganhou montanhas de dinheiro com a invasão. O filme denuncia até as mentiras anteriores contadas para bombardear o Camboja na guerra do Vietnã. O detalhe mais importante do filme é mostrar como manipularam a opinião pública.

 

Depois dos ataques às torres gêmeas, além de invadir o Iraque, os Republicanos criaram leis novas, como aquela de que podiam fazer torturas “fora do país”. Foram para Guantánamo, em Cuba, e fizeram o diabo com os árabes presos. Tudo “legalmente”.

 

As invasões ao Iraque e Afeganistão trazem consequências enormes para os EUA e o mundo. Ajudou a criar o Estado islâmico (Isis no filme). Os EUA gastaram bilhões de dólares e muitas vidas para tirá-los da Síria e Iraque.

 

Aceita-se até a tese de que o ataque na torre em Nova York, em 2001, foi planejado por radicais árabes para fazer com que os EUA reagissem contra o Iraque, derrubassem Sadam Hussein e que abriria espaço para surgir, como surgiu, o Estado Islâmico (2003).

 

O filme, pondo dedo na ferida de tantos casos da politica do país, como sempre faz Hollywood, ganhou prêmio somente de maquiagem. Lembram de Avatar? Os imperialistas explorando um povo distante? Perdeu Oscar de melhor filme para o insosso, mas politicamente correto, Guerra ao Terror.

 

A intenção maior do filme não é a trajetória de Dick Chaney, mas destrinchar momento especial da história dos EUA. E que termina, naquela fala final de Chaney, transferindo para o próprio povo a culpa por tudo que aconteceu.

 

ALFREDO DA MOTA MENEZES é analista político.

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