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Padaria proporciona nova perspectiva de trabalho a reeducandos de Rondonópolis

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Local foi construído recentemente e equipado para os custodiados da unidade iniciarem curso de qualificação e, posteriormente, começarem uma atividade remunerada.

Em busca de uma vida diferente da qual tinha antes de ir para a Penitenciária Major Eldo de Sá Corrêa, localizada em Rondonópolis, o reeducando W.D.M.,38 anos, inicia nesta semana o curso de qualificação em panificação. As aulas só serão possíveis devido a nova frente de trabalho da unidade, uma padaria. O local possui 300 m², foi construído recentemente e entregue com todos os equipamentos necessários para a capacitação.

“Esse lugar nos dá mais uma motivação para sairmos daqui transformados, prontos para sermos recebidos pela sociedade e pela própria família. Vou abraçar essa oportunidade com unhas e dentes, continuar e vencer até o termino do curso porque, para mim, ele é a garantia de novas perspectivas de trabalho digno”, acredita W.D.M., recluso há um ano.

W.D.M. e os outros 19 alunos terão materiais novos para utilizarem durante o curso. Entre os produtos estão fornos industriais, modeladoras de pães, geladeira comercial, batedeira industrial, mesas, fritadeira e liquidificador industrial, formas, vitrine, cilindro, kits salgado e panificação, adquiridos pela Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) por meio de convênios com o Departamento Penitenciário Nacional (Depen).

Os convênios também permitiram a compra de equipamentos (máquinas de diversos modelos) para ampliar a oficina de costura da penitenciária. Os acordos representam um investimento de R$ 371,793 mil.

A capacitação é realizada pela Sejudh, em parceria com a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secitec) e o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec Prisional). Após o curso, os alunos receberão um certificado de 200h/aula; e ainda serão beneficiados com remição da pena, conforme prevê a Lei de Execução Penal que determina que a cada três dias trabalhados, um dia seja descontado na pena recebida.

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Conforme o diretor da unidade, Ailton Ferreira, além de qualificar os custodiados, a proposta é promover uma ocupação para eles e ainda mostrar que há outras possibilidades de renda, proporcionando alternativas para romper um círculo vicioso de criminalidade. “Essas atividades laborais contribuem para diminuição da reincidência criminal, porque conseguimos reinseri-lo na sociedade com dignidade e uma profissão. E é essa a nossa filosofia de trabalho”, afirma.

Após o período de qualificação, o projeto visa designar alguns dos reeducandos que concluírem o curso para o trabalho na padaria. Eles serão remunerados e irão produzir salgados, pães, bolos, entre outros produtos para consumo dos próprios internos e, por meio de parcerias, para a unidade feminina e socioeducativo da cidade.

 

Inauguração da padaria

 

A padaria foi entregue na sexta-feira (03.08) durante uma solenidade que reuniu diversas autoridades do município. O secretário de Justiça e Direitos Humanos, Fausto Freitas, parabenizou a diretoria da unidade prisional pelos investimentos em projetos de ressocialização.

“Alguns dos pilares da ressocialização são o estudo e o trabalho, e nesse projeto estão inclusos esses dois fatores, pois muito mais que segregar, a missão do sistema penitenciário é buscar promover a melhoria da pessoa reclusa para que, quando ela progredir de regime, tenha condições de ter uma vida dentro da legalidade”.

Quem também esteve presente na solenidade foi o promotor de Justiça da cidade, Reinaldo Antônio. Ele avalia positivamente a padaria na unidade e acrescenta que o fato de uma pessoa cumprir pena ela tem o direito punitivo e de se ressocializar. “A partir desses ambientes instalados no sistema o cumprimento da pena fica mais humanizado”, acredita o promotor.

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Participaram também da entrega da nova frente de trabalho o presidente da Comissão de Direito Penal da OAB Rondonópolis, Bruno de Castro; o secretário adjunto de Administração Penitenciária da Sejudh, Emanuel Flores e equipe; representantes do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado de Mato Grosso (Sindspen), a diretora da unidade prisional feminina da cidade, Silvana Lopes, e servidores da penitenciária.

A padaria foi construída pelos próprios reeducandos com recursos da unidade

Outras atividades laborais

Além da padaria, a unidade ainda possui um ateliê de costura, onde 11 recuperandos trabalham. A fim de aumentar o número de trabalhadores no local e de capacitar mais presos, outro grupo de 20 internos iniciou no dia 16 de julho o curso de corte e costura. Eles também serão beneficiados com a remição de pena e ganharão após três meses de aula um certificado com 160h/aula.

Assim como os alunos do curso de panificação, os alunos do ateliê de costura contam com os equipamentos adquiridos com recursos do Depen, sendo eles: 13 máquinas de costura galoneira industrial; 12 máquinas interlock, 29 máquinas de overlock, 13 máquinas de costura reta; 11 facas ajustáveis para corte de tiras, 11 máquinas elastiqueiras, e ainda bebedouros elétricos de 20 litros e industriais.

O ateliê teve a capacidade de produção ampliada em 2017, por meio de um convênio com o Instituto Mato-grossense de Algodão que cedeu maquinários e capacitou 25 recuperandos à época. No local são confeccionados uniformes para os reclusos da penitenciária e de outras da região sul.

Os trabalhos intramuros ainda incluem a marcenaria, serralheria, lavanderia, serviços gerais e horta, que empregam de forma remunerada um total 260 presos.

 

 

 

*assessoria

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Mato Grosso registra 100 mortes de crianças indígenas

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Com base na Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/2011), o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) obteve dados oficiais relativos à mortalidade na infância relativos a mortes de crianças indígenas de 0 a 5 anos.

Os dados parciais dão conta da morte de 825 crianças. Destas, 100 óbitos em Mato Grosso.

Os demais óbitos foram nos estados do Acre (66), Alagoas (3), Amazonas (248), Amapá (9), Bahia (16), Ceará (3), Maranhão (29), Minas Gerais e Espírito (24), Mato Grosso do Sul (51), Pará (49), Paraíba (4), Pernambuco (17), Paraná (11), Rio Grande do Sul (18), Rondônia (7), Roraima (133), Santa Catarina (7), São Paulo (6) e Tocantins (24).

Os dados fazem parte do relatório “Violência contra os povos indígenas do Brasil – 2019”.

“O maior número de mortes se deu entre crianças do sexo masculino, com 447 óbitos, sendo que os casos de crianças do sexo feminino foram 378”, apontou relatório.

O Estado do Amazonas registrou o maior número de óbitos de crianças indígenas, com 248 ocorrências, seguido de Roraima, 133 óbitos. “Mato Grosso vem a seguir, com o registro de 100 óbitos de crianças, especialmente entre o povo Xavante, com 71 mortes”, reforça.

Conforme o Cimi, as diversas mortes ocorreram por doenças tratáveis, como broncopneumonia, desnutrição, diarreia, malária ou pneumonia. Um total de 114 crianças vieram a óbito por diferentes tipos de pneumonia.

Outras 53 morreram por diarreia e gastroenterite de origem infecciosa presumível. O órgão de assistência à saúde registrou também 28 óbitos de crianças por morte sem assistência.

Fonte: Diário de Cuiabá

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