“A amamentação na prática é totalmente diferente”, alerta especialista em neonatologia e aleitamento materno

Depois da gestação e do parto, o puerpério é o momento em que os pais e o bebê se acostumam com uma nova realidade – aquela da pele a pele, do choro de três em três horas e do desgaste físico. Neste pano de fundo, a amamentação acompanha não só o período do pós-parto, mas também dos primeiros seis meses, no mínimo, do neném.

É preciso, portanto, que a mamãe esteja preparada para o desafio da amamentação, que pode ser mais complicado do que muitos imaginam. A “pega do bebê”, o tempo de mamada e a composição do leite são algumas das questões que podem já ser amadurecidas pelas gestantes.

Enfermeira especialista em neonatologia, Roze Meiry palestrou no Curso para Gestantes promovido pelo Hospital Infantil e Maternidade Femina, ocasião em que esclareceu todos os detalhes referentes à amamentação.

“O estudo da teoria é uma coisa, a amamentação na prática é totalmente diferente. Logo, é imprescindível o entendimento, sobretudo antes do nascimento, de que este pode ser um processo difícil. É preciso que a futura mamãe saiba que ela vai conseguir, porque a natureza é perfeita”, esclareceu especialista em neonatologia e amamentação, Roze Meiry.

Roze destaca que o aspecto emocional é extremamente importante no estágio da produção de leite materno, por isso é fundamental que a gestante esteja emocionalmente bem e preparada para as experiências que estarão por vir.

A especialista explica que os desafios a serem vencidos nesta fase exigem muita preparação da mãe e de todos que a cercam.

“O puerpério é um momento complicado, em que a mulher passa por muitas alterações hormonais, pela amamentação e é muito cobrada pela família ou até por ela mesma. É o mundo exigindo que aquela mulher faça um papel que ela nunca fez, no caso das mães de primeira viagem. É preciso estar psicologicamente preparada para superar esses obstáculos”, pondera Roze.

BRASIL – Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que, no Brasil, apenas 40% dos bebês com menos de seis meses se alimentam exclusivamente por aleitamento materno. De acordo com o relatório divulgado em agosto de 2017, o ideal seria uma taxa de 60% – superada por apenas 23 dos 194 países analisados na pesquisa.

Em abril deste ano, a OMS e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançaram um novo guia com “dez passos para o sucesso do aleitamento materno”. A cartilha é uma forma de facilitar e incentivar a amamentação nas unidades de saúde.

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