NO PONTO DE ÔNIBUS: Idoso deficiente inicia profissão de engraxate nos coletivos de Cuiabá

Rafael Medeiros Da Redação

Na semana do aniversário de Cuiabá, o Jornal Do Ônibus, continua percorrendo os pontos da cidade, para ouvir historias daqueles que utilizam o transporte público, seja para, passeio, meio de transporte ou como fonte de renda.

O caso do senhor Aquilino Alves, Cuiabano e aos 58 anos, viveu momentos marcantes em sua vida, dentro dos busões que correram na Cidade.

Em 1978, ainda jovem e sem estudo e condições financeira, Aquino, apreendeu a engraxar sapatos junto com o pai dele, tudo ocorria dentro dos coletivos, que na época era um meio legal de se ganhar dinheiro.

Aquino, viajava do Centro aos bairros, dando brilho, e cor nós sapatos e botinas de coros dos cuiabanos. E foi assim que ele conquistou boa parte dos seus pertences, se casou, teve filhos, tudo com o dinheirinho da graxa.

Três décadas se passaram, os pais de Aquino morreram, e ele acabou se envolveu com pessoas ‘não boas’. A mulher foi embora com os filhos.

Cansado, e doente Aquino teve que amputar uma das pernas. 

Mas nada disso tirou do engraxate o animo de voltar a trabalhar. Aposentado, e já debilitado, Aquino ganhou do prefeito Roberto França, um espaço no calçadão da Riachuelo, para exercer a função, juntamente com outros trabalhadores. 

Os anos se passaram ..

Em 2018, idoso e deficiente, o engraxate volta a perder o emprego, há mais de três meses, a  atual prefeitura de Cuiabá destruiu a cobertura que ele ganhou para atender os clientes. 

Sob a promessa de oferecer um espaço melhor ao aposentado, sem conversa a cobertura foi retirada e Aquilino não foi encaminhado para lugar nenhum.

“Falaram que iam me colocar em outro lugar, mas até agora nada. Está chovendo muito e eu não tenho como trabalhar. O cliente não vai engraxar o sapato e correr o risco de sair com um pé pronto e o outro sem fazer, porque começou a chover”, relata o engraxate.

Apesar de aposentado, o salário mínimo recebido não é suficiente para as necessidades básicas e compra de medicação.

‘’Só o meu aluguel é 600 reais. A aposentadoria não dá. Eu sou sozinho, minha esposa me largou a muito tempo. Preciso de remédio, comprar comida”, frisa.

 A reportagem do Jornal do Ônibus, procurou a Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob), na qual fomos informados, que foi oferecido sim um outro espaço para o trabalhador, mas ele não aceitou. Quanto a ameaça, a assessoria da Semob diz que não procede.

Essa historia não acaba aqui ..

Confira nota na íntegra

Em relação à retirada do engraxate Aquilino Alvez, que teve que ser retirado da Praça Alencastro por conta da reforma do calçadão, não procede a informação de ameaça por parte do Secretário Antenor Figueiredo. Foi proposto outro local para ser montado a barraca para ele trabalhar, conforme o prometido e ele não aceitou a proposta. A Secretaria de Mobilidade Urbana passou o caso para a Secretaria de Ordem Pública, que é a secretaria encarregada de fazer essa acomodação desse tipo de comércio. A Semob mantem a promessa de coloca-lo em um lugar que inclusive é bem próximo de onde ele estava. Assim que ele aceitar a proposta, será colocada a barraca.

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